Espetáculo do texto de Federico Garcia Lorca com performance de atores de carne e osso e bonecos, mergulhados no universo dos insetos
No dia 12 de maio estreia a peça teatral “O Malefício da Mariposa”, primeiro espetáculo produzido e encenado na Ave Lola Espaço de Criação, que cumpre temporada até 3 de junho. A peça retrata uma fábula em um inusitado jardim sob a ótica dos insetos que, assim como os seres humanos, têm suas ações e sensações impulsionadas pelo amor.
Sob direção de Ana Rosa Tezza e direção de arte de Cristine Conde, o espetáculo utiliza a poesia para se aprofundar no imaginário do público, dirigindo-se a pessoas de todas as idades. Cenários, figurinos e bonecos são criações coletivas dos atores e equipe da Ave Lola, que conta com Alessandra Flores, Janine de Campos e Val Salles no elenco.
Poeta e dramaturgo espanhol, Lorca foi uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola, devido ao seu posicionamento socialista e por ser abertamente homossexual. A peça “O Malefício da Mariposa” foi a primeira obra do escritor para os palcos, escrita em 1920. Apesar do perfil revolucionário de seu autor, “O Malefício da Mariposa” é uma comédia, que utiliza como pano de fundo o universo dos insetos para trazer à tona situações vividas pelos seres humanos por conta do amor.
A peça foi mostrada pela primeira vez no Festival de Curitiba, em março, e na sua data de estreia receberá o público com um pequeno coquetel, remetendo claramente ao Théatrè du Soleil, uma das principais companhias teatrais do mundo e que foi escolhida pelo grupo de artistas da Ave Lola como referência para desenvolver seus trabalhos.
SERVIÇO:
Espetáculo teatral “O Malefício da Mariposa”
De 12 de maio a 3 de junho – de sexta a domingo.
Horários: sextas e sábados, às 21h, e domingos, ás 19h.
Local: Ave Lola Espaço de Criação – Rua Portugal, 339 São Francisco – Curitiba – PR.
Informações: 41 2112 9924 – http://avelola.wordpress.com/
Sinopse “O Malefício da Mariposa”
“A comédia que vamos apresentar é humilde e inquietante, comédia rota, dos que querem arranhar a lua e arranham o próprio coração.” Assim têm início uma aventura pelos meandros deste sentimento delicado e imenso, grande tema da literatura universal: o amor. Em O Malefício da Mariposa, Federico Garcia Lorca utiliza a fábula para retratar tudo o que envolve as relações afetivas com a originalidade e profundidade de poucos, dentro de um universo inusitado, o mundo dos insetos. Em meio à atmosfera poética de um estranho jardim, besouros, baratas, escorpiões, formigas e mariposas amam e sofrem de maneira muito parecida à nossa, seres humanos.
Para trazer à cena este texto poético, bonecos de diversas técnicas foram criados e desenvolvidos coletivamente durante o processo de montagem do espetáculo, um intenso e diário trabalho de imersão, para descobrir e se aprofundar no universo da obra, no imaginário destes seres do jardim e no encontro entre a linguagem do teatro de formas animadas e o trabalho com atores de carne e osso. Assim, cada personagem/inseto foi criado, interpretado e manipulado de acordo com a forma que corresponde à sua natureza. Um amor impossível é um problema para qualquer coração, seja de um poeta ou de um inseto, ou porque não, de um inseto poeta? Afinal, como diz o autor, “o amor nasce com a mesma intensidade em todos os planos da vida, e o mesmo ritmo da brisa nascida do ar tem a estrela da manhã, tudo é igual na natureza.”
Ficha Técnica “O Malefício da Mariposa”
Classificação: Livre
Direção: Ana Rosa Genari Tezza
Direção de Arte: Cristine Conde
Composição musical: JJ Lemetre
Elenco: Alessandra Flores, Janine de Campos e Val Salles
Atriz aprendiz: Tatiana Dias
Cenários e Figurinos: Cristine Conde
Confecção de Bonecos: Alessandra Flores, Cristine Conde, Janine de Campos e Val Salles (aprendiz de feiticeiro: Helena Tezza)
Consultoria de Máscaras: Calu Monteiro
Sonoplastia: Ana Rosa Genari Tezza e Tatiana Diaz
Iluminação: Rodrigo Ziolkowski
Assistente de Iluminação e operação de luz: Raul Freitas
Operação de som: Tatiana Dias
Documentação e direção audiovisual: José Tezza
Designer gráfico: Mateus Ferrari
Ilustração: Val Salles
Cenotecnia: Proscenium
Costureiras: Sueli Matias e Tissa Muniz
Produção: Ave Lola Espaço de Criação
Federico Garcia Lorca nasceu na região de Granada, na Espanha, em 05 de junho de 1898, e faleceu nos arredores de Granada no dia 19 de agosto de 1936, assassinado pelos “Nacionalistas”. Nessa ocasião o general Franco dava início à guerra civil espanhola. Apesar de nunca ter sido comunista – apenas um socialista convicto que havia tomado posição a favor da República – Lorca, então com 38 anos, foi preso por um deputado católico direitista que justificou sua prisão sob a alegação de que ele era “mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver.” Avesso à violência, o poeta, como homossexual que era, sabia muito bem o quanto era doloroso sentir-se ameaçado e perseguido. Nessa época, suas peças teatrais “A casa de Bernarda Alba”, “Yerma”, “Bodas de sangue”, “Dona Rosita, a solteira” e outras, eram encenadas com sucesso. Sua execução, com um tiro na nuca, teve repercussão mundial.